VoePass corre risco de perder dois ATR 72 por falta de pagamento
- Miguel Barbosa

- 19 de jan.
- 2 min de leitura

A justiça determinou que a Dubai Aerospace Enterprise (DAE), empresa de leasing que aluga aviões para companhias aéreas, recupere as aeronaves ATR 72-600 de matrícula PR-PDZ e PR-PDX. Os pagamentos estão atrasados desde abril de 2024, e, mesmo após notificações, a Voepass não regularizou a dívida nem apresentou uma previsão de quitação.
A decisão foi emitida no dia 14 de janeiro de 2025 pelo juiz Benedito Sérgio de Oliveira, da 12ª Vara Cível de Ribeirão Preto, conforme documentos obtidos pelo jornal Estadão. No processo, a DAE alegou que o PR-PDZ está fora de operação há meses, sendo desmontado para fornecer peças a outras aeronaves, enquanto o PR-PDX foi mantido em voo com componentes retirados do próprio PR-PDZ. Dados do AirNav Radar mostram que o PR-PDX não voa desde agosto de 2024, e o PR-PDZ realizou seu último voo em 4 de janeiro de 2025.
No Aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto, funcionários relataram que as aeronaves foram isoladas pela DAE, que contratou seguranças para impedir o acesso de funcionários da Voepass. Os aviões não estão em condições de voo, e a decisão judicial prevê que a companhia aérea quite as dívidas em até cinco dias, prazo que se encerra no próximo domingo, 19 de janeiro.
A crise financeira da Voepass, que já era crítica, agravou-se após o acidente com o voo 2283 em 2024. Apesar de ter saído da recuperação judicial em 2017, a empresa continua enfrentando dificuldades, como atrasos nos pagamentos aos tripulantes.
Em nota à imprensa, a Voepass afirmou que as aeronaves já estavam em manutenção e que a reintegração de posse não afetará as operações programadas. No entanto, especialistas alertam que a decisão pode incentivar outros arrendadores a retomar suas aeronaves, como ocorreu no caso da Avianca Brasil, o que poderia ameaçar a continuidade das operações da companhia.









