Voos de deportação ao Brasil somam ao menos 38 operações e mais de 3 mil repatriados em 2025
- Miguel Barbosa

- 5 de jan.
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Ao longo de 2025, os voos de deportação dos Estados Unidos para o Brasil ocorreram passando por diversos aeroportos e com diferentes aeronaves. Um levantamento exclusivo do BrasilAviation.info identificou 38 operações ao longo do ano, totalizando 3.371 passageiros deportados.
As operações começaram em 10 de janeiro de 2025 com a GlobalX, utilizando um Airbus A321-200, matrícula N966AD, partindo de Alexandria (AEX) com destino ao Aeroporto Internacional de Confins (CNF).
O segundo voo do ano ocorreu em 25 de janeiro, com um Airbus A320-200, matrícula N276GX, também operado pela GlobalX, novamente partindo de Alexandria com destino a Confins.
Ainda sob operação da GlobalX, novos voos com o Airbus A320-200, matrícula N276GX, ocorreram em 7 de fevereiro, 21 de fevereiro e 15 de março, todos com destino a Fortaleza (FOR). Em 28 de março, a companhia passou a empregar o Airbus A321-200, matrícula N966AD, também com chegada em Fortaleza, padrão mantido nos voos de 11 de abril, 25 de abril, 9 de maio, 24 de maio, 6 de junho, 21 de junho e 5 de julho, sempre partindo de Alexandria.
Durante o voo de 25 de janeiro, com o Airbus A320-200 N276GX, ocorreu um incidente durante a escala em Manaus. O calor excessivo a bordo gerou um desentendimento, levando à abertura de uma saída de emergência e ao acionamento dos escorregadores. A aeronave não seguiu até Confins e precisou passar por manutenção.

De acordo com a Polícia Federal, o uso de algemas em imigrantes deportados é um procedimento padrão em voos fretados realizados pelos Estados Unidos. No entanto, ao pousarem no Brasil, essas restrições devem ser retiradas, já que os deportados não são considerados prisioneiros em território nacional.
No caso da escala em Manaus, os passageiros desembarcaram ainda algemados, o que gerou repercussão institucional. Diante da situação, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, determinou a retirada das correntes e solicitou que os deportados fossem levados a Belo Horizonte em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB).
O episódio também levou o Itamaraty a informar que cobraria explicações das autoridades norte-americanas, classificando o tratamento dispensado aos deportados como degradante. A situação passou a influenciar diretamente a logística das operações seguintes.
Após esse episódio, Confins deixou de ser o principal destino das operações, que passaram a se concentrar em Fortaleza ao longo do primeiro semestre.
Em 2 de julho, foi registrado o primeiro voo de deportação do ano operado pela Força Aérea dos Estados Unidos, com um Boeing C-17 Globemaster III, matrícula 08-8191, partindo de Alexandria com destino a Confins. Em 7 de agosto, um segundo voo militar ocorreu com outro C-17, matrícula 98-0052, desta vez partindo de Harlingen (HRL) também com chegada em Confins.
A partir de 18 de julho, a Omni Air International passou a assumir papel central nas operações, utilizando aeronaves Boeing 767-300ER. O primeiro voo da companhia foi realizado com a matrícula N351AX, partindo de Harlingen para Fortaleza. Na sequência, em 25 de julho, a matrícula N378AX também operou um voo com destino a Fortaleza.
Com o retorno gradual das operações para Confins, passaram a ser empregados os Boeing 767-300ER de matrículas N423AX, N468AX e N378AX, em voos realizados entre agosto e outubro, sempre partindo de Alexandria. Em 27 de agosto, a matrícula N468AX realizou duas operações consecutivas com destino a Confins.
Ainda em agosto, foi registrado pela primeira vez, um voo de deportação operado pela GOL Linhas Aéreas com um Boeing 737 MAX 8, matrícula PR-XMI, partindo de Alexandria com destino a Confins.
Durante setembro e outubro, a Omni Air manteve operações frequentes com os Boeing 767-300ER de matrículas N378AX, N468AX e N423AX, consolidando Confins como principal aeroporto de chegada nesse período.
Em novembro, a Eastern Airlines passou a atuar em parte das operações, utilizando Boeing 767-300ER de matrículas N703KW e N700KW. Um dos voos da Eastern teve como destino Manaus devido à emergência médica, enquanto o outro, seguiu para Confins. No mesmo mês, a Omni Air também empregou um Boeing 777-200ER, matrícula N846AX, em uma operação específica.


As operações seguiram até dezembro com a Omni Air International, utilizando principalmente o Boeing 767-300ER, com destaque para as matrículas N468AX e N486AX. Em 22 de dezembro, foi registrado um voo com um Boeing 767-200ER, matrícula N225AX, ampliando a diversidade de aeronaves utilizadas.
O último voo do ano ocorreu em 31 de dezembro de 2025, novamente com um Boeing 767-300ER da Omni Air International, matrícula N468AX, partindo de Alexandria com destino ao Aeroporto Internacional de Confins.






