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Fortaleza recebe voo de deportação dos EUA com transporte garantido pela FAB entre a capital cearense e a capital mineira

KC-30 após decolar com os deportados em Manaus. Imagem: @plane_spotters_manaus
KC-30 após decolar com os deportados em Manaus. Imagem: @plane_spotters_manaus

O próximo voo de deportação de brasileiros dos Estados Unidos terá como destino a capital cearense, Fortaleza, marcando uma mudança na tradicional logística dessas operações, que costumam ter como ponto de chegada o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (Confins), em Minas Gerais.


Desde a década de 1990, Confins foi o principal destino desses voos, devido à concentração de deportados vindos de regiões como o Vale do Aço e o Vale do Rio Doce, especialmente Governador Valadares. No entanto, desta vez, Fortaleza foi escolhida após um pedido do governo brasileiro, que buscava evitar problemas ocorridos no último voo, quando deportados permaneceram algemados durante uma escala no Aeroporto de Manaus, já em território brasileiro.


Para minimizar os impactos do desembarque em Fortaleza, a Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou que será responsável pelo transporte dos deportados até Minas Gerais com o KC-30, mesma modelo de aeronave como na imagem fornecida pelo entusiasta da aviação e planespotter, Otávio (@plane_spotters_manaus). Após o pouso em Fortaleza, os brasileiros serão embarcados em uma aeronave da FAB e levados para Confins, de onde poderão retornar às suas cidades de origem.


Essa solução busca atender melhor às necessidades dos deportados e evitar críticas que surgiram em operações anteriores, especialmente sobre a assistência oferecida durante o retorno ao Brasil.


Mesmo com o pedido do governo brasileiro para ajustar os procedimentos, não há base legal para proibir o uso de algemas em voos operados por aeronaves estrangeiras, como as da GlobalX Airlines, durante o sobrevoo do território nacional. De acordo com o Código Brasileiro de Aeronáutica e as normas da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), aviões civis a serviço de governos estrangeiros seguem as legislações do país de origem, que permitem o uso de algemas em situações que apresentam risco de segurança.


A escolha de Fortaleza como destino levanta questões sobre o planejamento das futuras operações. Apesar de Belém, no Pará, ser uma opção geograficamente mais próxima da rota entre os EUA e o Brasil, a capital paraense não foi considerada. Isso aumentou as especulações sobre os critérios que determinaram a mudança.


O voo será operado pela companhia americana GlobalX Airlines, utilizando um Airbus A321ceo configurado para 224 passageiros. A aeronave partirá de Alexandria, nos EUA, com uma escala em Aguadilla, Porto Rico, antes de pousar no Aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza, às 15h00 do dia 7 de fevereiro. A decolagem de retorno aos Estados Unidos está programada para o dia seguinte, às 11h00.


Essa mudança na operação representa um esforço do governo brasileiro em melhorar a logística de recepção e transporte dos deportados, especialmente considerando a distância de Fortaleza para as cidades com maior concentração desses cidadãos. A FAB, ao assumir o transporte até Minas Gerais, reforça a preocupação com a assistência aos deportados, facilitando seu deslocamento interno no Brasil.


Resta saber se essa alteração será adotada permanentemente ou se faz parte de uma solução transitória para problemas pontuais identificados em operações anteriores.

 
 
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