Spotters são retirados da cabeceira do Aeroporto de Belém em meio à COP30
- Miguel Barbosa

- 7 de nov.
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Atualizado: 7 de nov.

Mais uma vez, os spotters de Belém enfrentaram dificuldades para exercer sua atividade durante uma tarde de registros no entorno do Aeroporto Internacional da cidade. Com a realização da COP30 e a presença de diversas delegações internacionais, o tráfego aéreo tem se tornado especialmente interessante, atraindo entusiastas e fotógrafos da aviação para acompanhar os pousos e decolagens.
Entretanto, nesta quinta-feira (7), a tranquilidade foi interrompida. Um grupo de spotters que se encontrava nas proximidades da cabeceira 07, área cortada pela Avenida Arthur Bernardes, tradicional ponto de observação, foi abordado por uma viatura da Polícia da Aeronáutica (PA) e orientado a se retirar do local. A justificativa apresentada foi apenas que “a chefia de serviço da Base Aérea não queria ninguém ali”, segundo relatos dos presentes.
Até então, não havia registros de proibições específicas para a prática de fotografia no local, mesmo com a aplicação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e o reforço no policiamento por conta do evento internacional. Inclusive, segundo testemunhas, outra equipe da PA já havia solicitado os documentos dos spotters horas antes e permitido que permanecessem na área sem qualquer restrição.
A ação aconteceu justamente quando os entusiastas aguardavam a decolagem de um raro Airbus A310 da Força Aérea Espanhola, um dos destaques do dia. Entre os presentes estavam nomes conhecidos da comunidade de aviação, como Giselle Orquídea e Rodrigo, administrador da página Aviação Amazônia no Instagram, ambos retirados do local pela equipe da PA.
O episódio reacende a discussão sobre o tratamento dado aos spotters em Belém. Embora a Força Aérea Brasileira promova eventos como os Portões Abertos e as visitas ao Memorial da FAB na Amazônia, que visam aproximar o público da instituição, a postura adotada neste caso causa estranhamento entre os entusiastas.
Além disso, há críticas quanto à falta de proporcionalidade da medida, especialmente quando comparada à inércia diante de invasões recentes em áreas militares da região, onde, segundo relatos, não houve a mesma firmeza por parte das autoridades.
Vale ressaltar que muitos dos spotters presentes possuem histórico de participação em eventos oficiais e já colaboraram em coberturas realizadas na própria Base Aérea de Belém, o que torna a abordagem ainda mais questionável aos olhos da comunidade aeronáutica local.









